quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

COMO REPREENDER O DEVORADOR? Parte 1






No cristianismo não se repreende o devorador com dízimo ou algum outro valor financeiro, mas sim pela justiça da fé no poder do nome de Jesus.
A Palavra de Deus nos ensina que, com o escudo da fé, poderemos apagar todos os dardos inflamados do maligno.

Observemos a grande diferença que existe entre o CRISTIANISMO e o povo da ANTIGA ALIANÇA (DA LEI), referente à posse do poder de Deus para repreensão do devorador e para toda realização de maravilhas:
         “Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda força do inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lc 10.19).
Neste versículo Jesus concede imunidade absoluta aos discípulos sobre a ação do devorador, e deixa claro que o devorador não tem poder sobre o cristão, mas sim o cristão sobre o devorador
O verdadeiro cristão, por ser dotado do poder de Deus, recebe automaticamente a proteção divina, tornando-se assim intocável pelo maligno. O apóstolo João conscientizou a Igreja sobre a imunidade do verdadeiro cristão, dizendo:
“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca” (1 Jo 5.18).
O povo da Antiga Aliança (da Lei), de modo geral, não recebia (por falta de condição espiritual) o poder para expulsar demônios, curar os enfermos e demais operações de maravilhas, como recebe o povo da Graça (o cristianismo).
Na época da dispensação da Lei, tal poder era concedido somente aos ungidos de Deus, os quais eram: profetas, reis e sacerdotes. Só esses tinham poder para realização de maravilhas.

Por esta razão observamos, na história da cura do leproso Naamã, registrada em 2 Reis 5.1-14, que sua serva (intermediária da cura) embora fazendo parte do povo de Deus, não pôde curá-lo, mas teve que indicar o profeta Elizeu (o ungido) que estava distante, dizendo:
“Conheço um que se meu senhor Naamã estivesse diante dele, seria restaurado da sua lepra”.

Enquanto, se isto acontecesse no tempo da Graça (no cristianismo), aquela serva, com as respectivas qualidades de fé, poderia mudar a sua versão e, ao invés de dizer:
“Conheço um profeta que pode curar”, poderia dizer:
 Conheço Um que me concedeu poderes, dizendo:
 “Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios” (Mt 10.8); ela mesma poderia usar este poder e curá-lo.
Na Lei, o próprio Deus repreendia o devorador diretamente. Como o dízimo fazia parte da Lei, Deus prometia, mediante a guarda da Lei, repreender o devorador.
Em termos da posse do poder de Deus, existe grande diferença entre o povo da Antiga Aliança, e o povo da Nova Aliança.


Observemos que, para o povo dizimista (da Antiga Aliança), Deus diz:

“Eu repreenderei o devorador” (Ml 3.11), enquanto para o povo da Nova Aliança (da Graça), diz:
“Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda força do inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lc 10.19).
 No próprio capítulo 3 de Malaquias, enquanto Deus diz ao povo DIZIMISTA:
“Eu repreenderei o devorador” (Ml 3.11), observemos que no mesmo capítulo, do versículo 1 ao 5, quando a profecia refere-se à salvação e à contribuição financeira do povo da “Nova Aliança” (do cristianismo).

 Deus muda a ordem de operação, dizendo que será uma testemunha contra o “devorador” cujo espírito está nos feiticeiros, nos que juram falsamente, nos que defraudam os jornaleiros, nos que pervertem o direito da viúva, e do órfão, e do estrangeiro            (Ml 3.5).
Para o povo dizimista (que vivia segundo a lei), Deus repreendia o devorador, porém para o cristianismo, que segundo Malaquias 3.3 “traria ofertas em justiça”, Deus, por lhe conceder poder e autoridade para tal realização, disse: “Eu serei uma testemunha.” (Ml 3.5).
No cristianismo, Deus dá poder e autoridade para o Seu povo expulsar os demônios, curar os enfermos, e toda realização de maravilhas, e fica presenciando como testemunha.

Um dos reais exemplos disto encontra-se no Evangelho de Lucas 10.17-19, quando Jesus, tendo concedido poder e autoridade aos Seus discípulos para repreender os demônios, curar os enfermos, e toda realização de maravilhas, os enviou à Sua obra; porém voltando os discípulos, e relatando à Jesus os seus feitos em Seu nome, e inclusive a sujeição de satanás a eles, Jesus declarou-se como testemunha, dizendo:

“Eu via satanás, como raio, cair do céu” (Lc 10.17-18). Enquanto na Lei, só quem usava este poder eram os ungidos de Deus: profetas, reis e sacerdotes. Geralmente só estes recebiam a unção do poder do Espírito Santo de Deus.

Aliás, existem obreiros no cristianismo, querendo seguir esta linha; dizendo que só os pastores, bispos, anciãos, evangelistas, são os ungidos de Deus. Isto é, no mínimo, pobreza de sabedoria espiritual.
No cristianismo, todos, não só podem como devem receber o poder de Deus e a Unção do Espírito Santo.
A Unção do cristão é o recebimento do Espírito de Cristo. E isto se alcança pelo batismo da fé. Paulo, escrevendo aos gálatas, confirma: Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, já vos revestistes de Cristo.

Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus (Gl 3.27-28). E aos romanos ele deixa claro ao dizer:
“Aquele que não tem o Espírito de Cristo, este tal não é dele” (Rm 8.9). Isto significa que quem é dEle é Ungido; do contrário, não é dEle.
João, ao escrever sua Primeira Epístola, dirige palavras de conforto à Igreja de Deus, confirmando a sua Unção: “E vós tendes a Unção do Santo, e sabeis tudo” (1Jo 2.20).
Jesus declarou a generalidade do uso do Seu poder a todo e qualquer cristão, quando disse: “Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: ergue-te e lança-te ao mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito” (Mc 11.23).
Quando Jesus diz: “Qualquer que disser”, a palavra “Qualquer”, exclui, neste caso, posição eclesiástica, mas qualifica pelo nível da fé.
A hierarquia eclesiástica é de muita importância na organização administrativa da igreja, pois cada obreiro é separado para exercer seu respectivo cargo por ter adquirido, diante da igreja, confiança de fé e experiência para a  realização da obra de Deus.

Por esta razão, a Igreja é orientada a que, estando alguém doente, chame o obreiro para orar sobre ele (Tg 5.14).
Mas nem por isso o obreiro deve agir exaltadamente diante de Deus, e diante da Igreja, como se soubesse mais do que todos, nem como se achando o maior.
É importante esclarecer que Jesus nos declarou a igualdade quando advertiu: “Vós, porém, não quereis ser chamados Rabi, porque um só é o vosso mestre a saber, o Cristo, e todos vós sois irmão” (Mt 23.8).
No capítulo 16, versículos 17 a 18 do Evangelho de Marcos, a generalidade do poder dos cristãos mais uma vez fica clara quando Jesus determina o que pode ser realizado em Seu nome, e quem pode realizar, ao dizer:
“E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, pegarão nas serpentes, e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos e os curarão”.
Observe o leitor, que Jesus delega poderes a todos os cristãos, quando determina: “e estes sinais seguirão aos que crerem”. Aqui Jesus não especifica pastores, bispos, anciãos ou qualquer outro obreiro, tampouco posição social, condição financeira, mas deixa claro que é para aquele que crê.
O fator principal para que o cristão receba a Unção e tome posse do poder de Deus, não consiste em posição eclesiástica, condição financeira, mas sim no nível alcançado de fé e de sabedoria no Espírito Santo.
A Igreja deve considerar sua hierarquia, obedecer seus respectivos obreiros, porém, da mesma forma os obreiros devem respeitar seus limites diante da Igreja.
O apóstolo Pedro, na sua Primeira Epístola, faz uma recomendação pedindo aos obreiros que apascentem o rebanho de Deus, não como tendo domínio sobre a herança de Deus (I Pe 5.1-3).
Existem obreiros apascentando o rebanho de Deus como se fossem donos dele; já se ouviu a respeito de alguns obreiros que dizem que a Igreja deve seguir as suas ordens independentemente de estarem certas ou erradas.
Mas a verdadeira orientação espiritual é para que não aceitemos nenhuma imposição herética, para não cairmos na servidão da vontade de homens: “Fostes comprados por bom preço, não vos façais servos dos homens” (I Co 7.23).
Quando os apóstolos foram interrogados e repreendidos pelo sumo sacerdote a respeito de não terem obedecido suas admoestações heréticas, os apóstolos lhe responderam, dizendo: 

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens”
 (At 5.28-29).


Paz  seja com todos!
JC de Araújo Jorge

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO - Parte 2





Os que querem ser resgatados da sua vã maneira de viver com a tradição que receberam de seus pais através de pagamentos de dízimos e demais obras mortas.
Pedro, escrevendo a sua Primeira Epístola, adverte o povo dessa heresia, dizendo:
Não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes de vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1 Pe 1.18-19).

Confira ainda: Ap 22.17; At 15.10-11; Ef 2.8-9; Mt 20.28; 1Tm 2.6; Rm 3.24.
Os cobradores de dízimos até parecem desconhecer a Graça de Cristo e o que significa: “Misericórdia quero, e não sacrifícios” (Mt 9.13).
Vimos, portanto, o espírito da mensagem que o texto em estudo expressa, porém muitos são os obreiros que o tomam como uma das bases para cobrança de percentual dos cristãos.
Ainda alegam que Jesus está autorizando tal cobrança aos cristãos, apresentando a parte final destes versículos:
Deveis, porém fazer estas coisas, e não omitir aquelas” (Mt 23.23).
Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras” (Lc 11.42).

Como já foi esclarecido acima, ao terminar Seu comentário, Jesus diz que os escribas e fariseus não deveriam deixar de pagar o dízimo, pois fazia parte da Lei que eles persistiam em guardar.
Observe, ainda, o leitor, que o dízimo ali não é o objetivo principal, e sim está sendo usado como argumento para levar aqueles homens, que viviam apenas de aparência, ao conhecimento do seu erro.

Lucas 18.11-14

11 “O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano”.
12 “Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto possuo”.
13 “O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos aos céus, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim pecador”.
14 “Digo-vos que este desceu justificado, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilhar será exaltado”.
No texto supracitado, encontramos Jesus criticando, mais uma vez, os fariseus por confiarem em suas obras de justiça, e justificando um publicano por reconhecer seu estado de pecaminosidade, humilhando-se diante de Deus.
É dentro dessa mensagem que aparece pela segunda vez o dízimo no Evangelho de Lucas. O leitor pode observar que novamente Jesus faz referência ao dízimo de homens que estavam debaixo da Lei.
Se o leitor for sincero, haverá de concluir que, neste texto, Jesus não está impondo o dízimo aos cristãos.

      Hebreus Capítulo 7
Apresento esta parte dividida em dois pontos para melhor clareza.
Ponto 1: Um resumo geral do que o escritor procura apresentar neste capítulo.
Ponto 2: Destaque para os versículos que são especificamente tomados por base para cobrança do dízimo.


1- Os cristãos hebreus, por terem vindo do judaísmo e seus preceitos, tinham tendências a sustentar rudimentos do Antigo Pacto (a Lei), tais como: circuncisão, sacerdócio levítico, etc. etc. 

(At 15.5-6).

Sendo assim, o escritor procura mostrar, neste capítulo 7, a absoluta superioridade de Jesus sobre o sacerdócio levítico, que era segundo a Lei, ou seja, agia de acordo com a Lei, versículo 5.
Procura mostrar também que a obrigatoriedade da Lei havia tido o seu tempo exclusivo e que já havia cessado, conforme versículo 28, que diz:
Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre”.
Em resumo, o que o autor procura transmitir neste capítulo é a superioridade de Cristo, algo que ele faz em sequência.
Primeiro apresenta a superioridade de Melquisedeque sobre o sacerdócio levítico, que aparece nos versículos 4 a 10; em seguida apresenta a superioridade de Cristo sobre o sacerdócio levítico, versículos 11 a 28.

Essa superioridade de Jesus sobre tudo e todos está resumida no primeiro versículo do capítulo 8:
Ora, em suma (em resumo) do que temos dito, é que temos um sacerdote tal (tal aqui significa indescritível) que está assentado nos céus a destra do trono da Majestade”.
O fato de o escritor aos Hebreus ter usado o dízimo de Abraão a Melquisedeque como argumento para mostrar a superioridade de Cristo, não significa que está ordenando a cobrança de dízimo para os cristãos.
Os levitas cobravam dízimos segundo a Lei (de Moisés), é o que nos fala o versículo 5, que diz: “E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão”.
A expressão “têm ordem segundo a lei” deixa claro que o dízimo era tomado segundo a Lei, e não segundo a Graça.
Observe que o escritor faz questão de esclarecer que o dízimo não era praticado entre os cristãos, quando diz:
 “do povo, isto é, de seus irmãos”.
Não disse “dos nossos irmãos”, mas, “dos seus irmãos” (dos irmãos espirituais dos sacerdotes levíticos que ainda andavam na Lei e não viviam na Graça de Cristo).
Onde aparece a Igreja primitiva pagando ou recebendo dízimos? Aparece, sim, recolhendo ofertas voluntárias para diversas necessidades e finalidades.
A lei no cristianismo é outra; observemos o versículo 12:
Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei”.
O cristianismo está na lei da liberdade, Tg 1.25:
Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisto persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito”.
E também, Tg 2.12: “Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade”. Não é mais a lei da aliança levítica, isto é, de mandamentos carnais (Hb 7.18-19).
Portanto, irmãos, convêm que consideremos a advertência de Paulo: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo vos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão” (Gl 5.1).

          Hebreus 7.8

E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive”.

Na primeira parte, ele está fazendo menção do sacerdócio levítico, que era composto de homens mortais, conforme versículo 5.
A palavra “aqui” se refere a essa menção. Seria o mesmo que o autor dizer: Aqui (neste caso, nesta situação que expomos a vocês, irmãos) quem cobra dízimos são homens que morrem.
Quais homens? Os levitas. Pois o sacerdócio levítico continuava quando foi escrita esta epístola, tanto que no capítulo 8, versículo 4, o escritor comentando sobre Jesus, diz:
Ora, se Ele estivesse na terra, nem tampouco sacerdote seria, havendo ainda sacerdotes que oferecem dons segundo a lei”.
Então o “Aqui” não está fazendo referência aos pastores, presbíteros e outros obreiros do cristianismo como muitos supõem e ensinam, mas sim a sacerdotes levíticos, pois eram eles quem cobravam dízimos.

Já, na segunda parte, quanto à palavra “ali”, ela não passa de uma referência a Melquisedeque ali no passado. Seria o mesmo que o autor dizer:
 “Ali (naquele caso, naquela situação, no tempo de Melquisedeque) aquele de quem se testifica que vive”.
O “Ali” não está fazendo referência a Jesus, como alegam. O dízimo não é exclusividade da Lei, conforme versículo 5?

Então, como pode Jesus estar lá no céu cobrando ou recebendo algo pertencente a CÉDULA que era contra nos nas suas ordenanças, a qual Ele já riscou, Tirou do nosso meio e cravou na cruz ? (Cl 2.14).
Por fazer parte da Lei de mandamentos carnais, o dízimo foi substituído pela Graça. Depois que a fé veio já não estamos debaixo da Lei, conforme está escrito:
 “Separados estais de Cristo, vós, os que vos justificais pela lei: da graça tendes caído” (Gl 5.4)




Paz seja com todos!
JC de Araújo Jorge

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O DÍZIMO NA LEI




Escribas e Fariseus


Enquanto a Lei e os Profetas exigiam a prática da ordenança dos dízimos do povo da Aliança Levítica, era profetizada a liberdade de contribuição para o povo da Nova Aliança
(para o cristianismo).


Devemos aceitar e concordar, também e principalmente, com a cobrança do DÍZIMO durante a dispensação da Lei, visto que em tal época a nação também era, politicamente, administrada pelas autoridades religiosas; e o DÍZIMO (o imposto de renda) aparecia naquela dispensação como ordenança de Deus; e todo o povo que vivia sob a Lei, deveria praticá-lo.
O DÍZIMO na Lei aparece pela primeira vez em Levítico 27.30-34. O texto nos mostra que deveria ser dado o dízimo do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, das vacas, das ovelhas e de tudo que passasse debaixo da vara.
Os dízimos deveriam ser observados de forma rigorosa, pois eram considerados santos ao Senhor (Lv 27.32).
Deveriam ser levados aos levitas, porque o Senhor lhes dera por herança, pelo serviço que exerciam na tenda da congregação (Nm 18.21).
Os levitas deveriam levar aos sacerdotes o dízimo dos dízimos (o centésimo da renda do povo), como ordenava a Lei (Nm 18.26; Ne 10.38).
A cada 3 anos o povo deveria recolher os dízimos da colheita para que houvesse alimentos em suas cidades para o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva (Dt 14.28-29; 26.12-14).
O versículo 10 do capítulo 3 de Malaquias nos fala que o dízimo era para que houvesse mantimento na casa de Deus.
Na Lei, o homem que não fosse dizimista era considerado ladrão e estaria debaixo da maldição, por não cumprir tal ordenança da Lei (Ml 3.8 ; Gl 3.10).
Então, fica claro que aquele povo deveria dizimar, pois fazia parte das ordenanças do Senhor aos que estavam debaixo da Lei.

Todavia, devemos rejeitar a exigência do dízimo no Cristianismo, por ele ser exclusividade do Velho Testamento e não um mandamento cristão. A prática da lei do dízimo é, na verdade, proveitosa, se o tal guardar toda a Lei (viver segundo a Lei).

Esta foi a advertência do apóstolo Paulo aos romanos que insistiam na prática da circuncisão, dizendo: “Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei” (Rm 2.25).
E a advertência de Jesus aos fariseus dizimistas, que não guardavam toda a Lei foi: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei” (Mt 23.23).
Se alguém quer viver debaixo da Lei, tem que ser íntegro na sua prática, sem tropeçar em um só ponto (Tg 2.10). Neste caso a sua salvação seria pelas obras da Lei, e não pela Graça de Cristo (Gl 5.4).

Malaquias profetiza o fim da lei do dízimo e a liberdade de contribuição para o cristianismo

Ao mesmo tempo em que a Lei e os Profetas exigiam a prática da ordenança dos dízimos do povo da Aliança Levítica, era profetizada a liberdade de contribuição para o povo da Graça.
Motivo pelo qual, para os cristãos, a Lei e os Profetas duraram até João Batista (Mt 11.13).

Porque com a pregação de João, deu-se a transição da Lei para a Graça; bem compreendido, para aqueles que aceitam a salvação pela Graça de Cristo.
A Lei profetizou o seu próprio fim; é o que justifica a expressão de Paulo aos gálatas, quando declara: “Eu pela lei estou morto para a lei para viver para Cristo” (Gl 2.19).
No capítulo 3 do livro de Malaquias, a Palavra de Deus faz menção da contribuição do povo da Lei mosaica, e também da contribuição do povo da Graça (do cristianismo).

Nota-se que antes de a Palavra de Deus exigir a cobrança do dízimo do povo da Aliança Levítica, impondo a sua prática sob pena da maldição da Lei (Ml 3.8-10), profetiza o fim do dízimo e a liberdade de contribuição para o cristianismo (Malaquias 3.1-5).

No versículo 3 diz: trarão ofertas em justiça, e no versículo 4, que a oferta será agradável ao Senhor como nos dias antigos, como nos primeiros anos.
Esses dias antigos e os primeiros anos mencionados neste versículo referem-se à saída do povo do Egito, aos primeiros anos da caminhada; pois sabe-se que nesse tempo não era aplicada a cobrança do dízimo.

Segundo a Bíblia Sagrada, a ordenança dos dízimos já havia sido promulgada, mas a sua prática só começaria após a entrada na terra prometida (Dt 26.1-12). Até então, eram feitas ofertas espontâneas (Ex 36.2-7; 35.4-29; Nm 7.1-8; 31.48-54).

Porém, o povo contribuía com tanto amor e com o coração tão voltado para a obra de Deus, de maneira que sobejavam ofertas. Algumas vezes, Moisés tinha que pedir ao povo que parasse de contribuir (Ex 36.5-7).
Essa agradável abundância de contribuição era proporcionada pelo amor e prontidão de vontade do povo.

A generosidade do povo para com a obra de Deus naqueles primeiros anos se tornou muito comentada entre o povo israelita, de maneira que Deus chega a citá-la como exemplo para o cristianismo.
Observe o leitor que, quando a determinação de contribuição financeira, da parte de Deus, é direcionada ao cristianismo, a palavra “dízimo” desaparece, e muda a expressão para: “Ofertas em Justiça” (Ml 3.3).

Quanto à ideia de praticar o dízimo por ter sido uma obra praticada antes da Lei, e inclusive por Abraão, é expressamente censurada pelas Escrituras Sagradas.
Pois não se pode, de forma alguma, aplicar uma obra dessa natureza ao cristianismo, pelo fato de ter sido praticada por Abraão!

Alguns crentes da igreja da Galácia persistiam na prática da circuncisão, certamente com a ideia de ter sido uma obra praticada antes da Lei, e inclusive por Abraão, porém, foram advertidos pelo apóstolo Paulo, que lhes disse:
se o crente se circuncidar, Cristo para nada aproveita e o tal está 
obrigado a guardar toda a lei
(Gl 5.2-4)
e acrescentou, dizendo que isso lhes separaria da Graça de Cristo
 (Gl 5.4).

Paz seja com todos!
JC de Araújo Jorge

domingo, 12 de janeiro de 2014

O DÍZIMO ANTES DA LEI



ABRÃO E MELQUISEDEQUE


                Se Abraão vivesse na época do cristianismo, provavelmente não daria continuidade a algumas obras que praticara antes da Lei, como: circuncisão, sacrifícios de animais, nem tampouco a lei do dízimo; pois Abraão amava verdadeiramente a Deus e sempre preferiu servi-Lo de acordo com a Sua perfeita vontade.


Muitos obreiros religiosos aplicam a lei do dízimo ao cristianismo, sob alegação de o dízimo ter sido praticado antes da Lei e inclusive pelo patriarca Abraão; mas, tal alegação não tem fundamento espiritual; pois vale lembrar que nem todas as obras praticadas anteriormente à Lei, inclusive por Abraão, podem ser aplicadas no cristianismo.
Antes da Lei, outras obras também eram praticadas por Abraão, como:
- Celebração de sacrifícios de animais (Gn 8. 20;  22. 13;  33. 20).
          - Circuncisão  (Gn 17. 10-11;  17. 23;  21. 04;  etc.).
        
Obras essas, praticadas anteriormente à Lei pelo povo de Deus, inclusive, obviamente, pelo patriarca Abraão. Porém todo cristão entende claramente, pelo ensinamento do Espírito Santo, que tais obras não devem ser aplicadas no cristianismo. Então, isto confirma que muitas das obras que foram praticadas antes da Lei e também por Abraão, não se enquadram na prática do verdadeiro cristianismo.
        
Quanto ao Dízimo, por ser o imposto de renda da nação, observa-se que só foi devidamente cobrado pelas autoridades eclesiásticas durante o tempo em que o ministério religioso era incorporado ao Estado, ou seja, unificado à administração política.
        
Por esse motivo Abraão deu o dízimo a Melquisedeque, porque Melquisedeque não era somente sacerdote, mas também era rei (era político) (Gn 14. 18 ;  Hb 7. 2).
        
Melquisedeque também governava o país. O dízimo sempre foi o imposto de renda da nação; uma parte era para a administração sacerdotal, outra se destinava à administração política, muito usada em Assistência Social.
        
O livro de Deuteronômio, 14. 28-29, diz que deveriam recolher os dízimos da colheita para que houvesse alimentos em suas cidades, para os levitas, o estrangeiro, o órfão e a viúva (Dt 14.  28-29;  26.  12-14).
        
Os dízimos deveriam ser levados, não aos sacerdotes, mas aos levitas (Ne 10.37).
        
Os levitas deveriam levar aos sacerdotes o dízimo dos dízimos, conforme a ordenança da Lei (Nm 18.26-28).
Aos sacerdotes era repassado, pelos levitas, somente um décimo do valor dos dízimos (o centésimo da renda do povo) o que se chama de “dízimo dos dízimos” (Ne 10.38; Nm 18.26-28).
        
No caso de Melquisedeque, coube a ele receber todo o dízimo, pelo fato de administrar os dois ministérios, o religioso e o político, pois era sacerdote, mas também era rei (Gn 14. 18; Hb 7. 2).
        
O dízimo (o imposto de renda) pertencia ao Reino de Deus em virtude de o país ser administrado religiosamente; pois sabemos que a religião e a política caminhavam juntas. Eram dois ministérios em uma só realidade. Mas o ministério cristão foi constituído, sem dúvida, separado da política.
        
É evidente que por Deus ter constituído o ministério de Sua Igreja totalmente separado do Estado, a administração política passou a pertencer exclusivamente ao reino deste mundo. E o ministério da Igreja de Cristo é totalmente desvinculado desse reino: são coisas distintas, o próprio Jesus declarou: “O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18.36). Então entendemos, com esta declaração de Jesus, que o recebimento do imposto de renda (o dízimo) ficou somente a cargo do governo político.

 Porém, tanto no tempo da dispensação da Lei, como na época de Abraão, a administração religiosa era incorporada ao Estado. Por isso o ministério cristão não pode tomar por base e fundamento casos anteriores à Lei com o intuito de cobrar dízimo no cristianismo.
        
Observa-se que os que cobram o dízimo argumentam, baseando-se no fato de Abraão ter dado o dízimo por fé. Sendo assim, deveriam também pela mesma fé circuncidar-se e oferecer sacrifícios. Por acaso a circuncisão e os sacrifícios de Abraão, além de antecederem a Lei, também não foram praticados por fé?
        
Abraão foi o primeiro a praticar a obra da circuncisão (Gn 17. 10-11; 17. 23; 21. 04). Paulo, porém, escrevendo aos Gálatas, 5. 2-4, diz que se o crente se circuncidar, Cristo para nada aproveita e o tal está obrigado a guardar toda a Lei.
        
Abraão também oferecia sacrifícios de animais, mas como todos sabem, segundo o ensinamento do escritor aos Hebreus (Hb 10. 5-9), os sacrifícios já não são mais.
        
Desta forma, ainda que Abraão tenha vivido antes da Lei, não deixa de ser uma época em que muitas obras realizadas eram bem diferentes das obras do cristianismo. Pois antes da Lei a morte ainda reinava pelo pecado de Adão (Rm  5. 14).
        
Por que Abraão oferecia sacrifícios de animais e praticava a circuncisão? Provavelmente porque ainda não estava em prática a Graça da Salvação que há em Cristo Jesus.
        
Podemos afirmar, com absoluta certeza espiritual, que, se Abraão vivesse na época cristã, não praticaria tais obras.

“COMO A IGREJA PODE SE MANTER FINANCEIRAMENTE SEM O DÍZIMO?”

Segundo o Evangelho, a Igreja não deve se manter de dízimo, mas de ofertas voluntárias (da verdadeira contribuição cristã). Quando a Bíblia condena a cobrança de dízimo no cristianismo, não significa que está contrariando a prática das ofertas. Não se pode associar dízimo a contribuição cristã.
         O verdadeiro cristão, não depende da Lei do dízimo para poder contribuir. O obreiro apresenta as necessidades financeiras da obra de Deus, e o cristão, impulsionado pelo amor, abre o coração e contribui espontaneamente com o máximo que pode. Isto por amor e não para cumprir um percentual. Para o verdadeiro cristão contribuir não precisa estar debaixo da Lei do dízimo, mas apenas diante das necessidades da obra de Deus.
A cobrança de dízimo expressa falta de confiança na espiritualidade da igreja. Por esta razão está escrito que a lei não é feita para os cristãos, mas para os ímpios, para os profanos, para os que são contra a sã doutrina (I Tm 1. 9-10). Deus quer que deixemos o povo cristão em liberdade para contribuir. Portanto, não devemos mudar a doutrina cristã, mas sim aplicar o ensinamento genuíno do Novo Testamento, dizendo: 
Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” 
(2ª Co 9.7).



Paz seja com todos!
JC de Araújo Jorge

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

POR QUE MUITOS SÃO CHAMADOS, MAS POUCOS OS ESCOLHIDOS?



PARÁBOLA DAS BODAS (Mateus 22. 1 - 14)


22:1 ENTÃO Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo: 
22:2 O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho; 
22:3 E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir. 
22:4 Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas. 
22:5 Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu tráfico; 
22:6 E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram. 
22:7 E o rei, tendo notícia disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade. 
22:8 Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. 
22:9 Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes. 
22:10 E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados. 
22:11 E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias. 
22:12 E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu. 
22:13 Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. 
22:14 Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos. 


NICODEMOS VISITA  A JESUS (João 3. 1 - 15)

3:1 E HAVIA entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. 
3:2 Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele. 
3:3 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. 
3:4 Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? 
3:5 Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. 
3:6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. 
3:7 Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. 
3:8 O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. 
3:9 Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso? 
3:10 Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto? 
3:11 Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho. 
3:12 Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais? 
3:13 Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu. 
3:14 E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; 
3:15
 Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 



ENTENDO A PARÁBOLA

Antes de concluir a parábola, existe menção a um rei (Deus) que quer celebrar as bodas de seu Filho, ou seja o casamento do Messias com sua noiva (Igreja). Inicialmente o convite é feito ao povo escolhido (judeus), mas os mesmos rejeitaram o chamado, maltratando e até matando os profetas que anunciaram o grande evento.

O rei observando que os convidados originais (judeus) não eram dignos pelos motivos acima, mandou convidar um povo não escolhido (gentios), de todas raças, línguas e nações. Esses são todos os CHAMADOS que recebem a Palavra do Evangelho em seu coração e que são convencidos pelo Espírito Santo: do pecado, da justiça e do juízo, ou seja, são os que nascem de novo para somente VER o Reino de Deus; sem contudo submeter-se ao senhorio do Espírito Santo mediante o Evangelho da Graça de Deus para viver em novidade de vida.  Portanto, é preciso nascer da água (Evangelho) e do Espírito para ENTRAR no Reino de Deus.


Conclui-se que, ao conhecermos a Verdade (Cristo Salvador), é necessário também permanecer no CAMINHO para que sejamos também ESCOLHIDOS,  e este Caminho não se resume somente em frequentar templos, mas sobretudo em ser dirigido pelo Espírito Santo, no sentido de observar as Escrituras e cumprir os mandamentos neotestamentários.

RESUMINDO:
 Os Chamados são todos os que recebem o Evangelho de Jesus Cristo. E os Escolhidos, são os poucos que perseveram até o fim para receberem a coroa da Vida. 


Paz Seja Convosco!
J.C.de Araújo Jorge
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